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Inimigos no trabalho

04/10/2011

Os hábitos, sejam eles bons ou maus, podem definir nossa personalidade e a maneira como os outros nos veem. No ambiente de trabalho não é diferente. Atitudes comuns do dia-a-dia, como falar alto demais e até deixar sua mesa bagunçada podem custar caro. Por isso, fique atento para que a sua carreira não seja prejudicada: mude enquanto é tempo.

Por Francine Calegare

 

A correria do dia-a-dia, a sobrecarga de trabalho e a falta de atenção fazem com que algumas atitudes negativas passem despercebidas no ambiente corporativo. A repetição delas pode afetar o crescimento profissional, afinal,

grandes problemas começam nos pequenos detalhes.

A psicóloga e coaching Danielle Jaegger Holtz, explica que, atualmente, muitos fatores emocionais relacionados ao próprio emprego contribuem para que a pessoa mantenha-se excessivamente estressada. “A sensação de instabilidade e de insuficiência profissional, a pressão para comprovação de eficiência, a impressão continuada de estar cometendo erros, a falta de visão sobre a relevância social do seu trabalho e a percepção de falta de reconhecimento de seus esforços contribuem para o estresse no ambiente corporativo”, ressalta.

Para a coaching, é verdade que toda a história de vida do trabalhador anda junto a ele, seus conflitos, frustrações, desavenças conjugais, preocupação com os filhos, interesses e necessidades pessoais, mas, ainda assim é preciso se policiar, fazendo uma revisão e reestruturação das formas como você se comporta com os colegas, com a empresa e com a sua imagem.

Carl Rogers, psicólogo e psicoterapeuta norte-americano, dizia: “A única coisa que se aprende e realmente faz a diferença no comportamento da pessoa é a descoberta de si mesmo”. Por isso, para corrigir um erro é importante reconhecê-lo. “Esteja sempre atento às suas ações, não deixe que as funções e a sobrecarga façam de você um profissional relapso, desatencioso com suas responsabilidades e atitudes no ambiente corporativo”, orienta Danielle.

 

Atente -se aos seus comportamentos

A imagem transmitida pelo profissional faz muita diferença e é por isso que ficar de olho nas atitudes e na maneira como nos portamos no ambiente de trabalho pode nos render pontos positivos ou negativos. Acompanhe as dicas da psicóloga e coaching Danielle Jaegger Holtz.

 

Ser um mau ouvinte

É comum estarmos envolvidos com as nossas coisas, como celular, e-mail, música ou até atento na conversa do outro e, quando nosso colega se aproxima, nos mostramos desinteressados no que ele tem para dizer, o que gera a impressão de desrespeito e imaturidade.

Como melhorar? Temos dois ouvidos e uma boca, por isso, pare, se concentre, olhe nos olhos e ouça seu colega. É um exercício, mas funciona com todos.

 

Não saber dominar as emoções

Um profissional que não sabe receber uma crítica ou um feedback e se frustra com muita frequência demonstra-se imaturo e, portanto, incapaz de assumir grandes responsabilidades, inclusive um cargo de liderança. Se alguém deseja subir na carreira, deve saber dominar suas emoções e lidar com as dos demais.

Como melhorar? É importante aprender a revelar o que incomoda. Experimente discutir com o colega aquilo que o ofendeu e ouça. Terapia também ajuda muito! Neste caso, ter o conhecimento do ser vai contribuir em todos os aspectos de sua vida.

 

Chegar atrasado em reuniões e eventos

Cumprir horários estabelecidos para uma reunião ou evento é o mínimo que se espera de um bom profissional. Mesmo que seus líderes cultivem o mau exemplo de chegar tarde em reuniões, não faça o mesmo.

Como melhorar? Seja pontual, insista neste comportamento, pois é somente através de você que essa dinâmica pode mudar.

 

Tom e volume da voz

Sem querer, muitas vezes, nos empolgamos em contar alguma coisa, falamos mais alto do que o normal e, de repente, todo o departamento ouve nossa história que, geralmente, nem está relacionada a assuntos do trabalho. Isto tem a ver com postura e ética profissional.

Como melhorar? Policie-se! O som alto incomoda e o outro fica constrangido em lhe dizer isso, ao mesmo tempo em que podem fazer comentários com outros colegas. Se isso é muito frequente, você deve procurar, inclusive, um otorrinolaringologista. Observe a altura da televisão que você assiste e pergunte para as pessoas mais próximas se está falando alto, ou observe o volume de voz dos outros e compare com o seu.

 

Falar mal da empresa, de chefes ou colegas no ambiente de trabalho ou nas redes sociais

O profissional vende, a todo instante, a sua credibilidade perante a empresa e o mercado de trabalho. Ninguém deseja ter em seu quadro de funcionários alguém que denigre a imagem da própria empresa, direta ou indiretamente (comentando e fazendo fofocas de outras pessoas).

Como melhorar? Seja vigilante e tente identificar os pontos que o levam a participar de certas situações. É um exercício diário. Se, no seu departamento, você tiver alguém em quem você confia, peça para te orientar nestes casos.

 

Você é funcionário, mas liga para a empresa e não se identifica.

Você acha que todos reconhecem sua voz? Isso não pode acontecer! É falta de respeito e educação. Muitas vezes, ligamos até entre ramais e já vamos logo falando: “Fulana, chama ciclana para mim?” Ou ainda, o que é pior: “Cadê fulana?”. Fica parecendo ordem, quando, na verdade, na maioria das vezes, você está pedindo um favor. Então, no mínimo, se interesse pela pessoa que atendeu ao telefone.

Como melhorar? Controle sua ansiedade e diga pausadamente: “Oi, bom dia, tudo bem? Fulana, eu gostaria de falar com Ciclana. Você poderia passar para o ramal dela? Obrigada”.

 

Comer na mesa de trabalho, em frente ao computador.

As pessoas sempre prestam atenção no que estamos fazendo e, nesta ação, nos esquecemos de tudo o que está ao nosso lado: documentos, teclado… “Outro dia, uma pessoa me contou que resolveu tomar um iogurte em cima de sua mesa. Não deu outra: derrubou no teclado e, o pior, como ela estava fazendo errado, no desespero, tentou lavá-lo! Imagina no que deu?”, exemplifica Danielle.

Como melhorar? Precisamos perder esta mania de quebrar regras e dar um jeitinho para tudo. O que é certo é certo. E qual é o lugar para comer? A resposta é mesa, mas do refeitório ou da cozinha, até porque fazer uma coisa de cada vez sempre resulta em mais sucesso.

 

Não participar dos eventos que a empresa proporciona

As organizações têm como um de seus propósitos o crescimento contínuo e a intenção de que seus profissionais estejam satisfeitos com seus cargos. Você poderá mostrar isso numa confraternização, num encontro com os seus colegas. Fica deselegante faltam repetitivamente. E, quando você participar, tome cuidado: não extrapole bebendo demais, falando alto ou gesticulando muito, que não vai pegar bem.

Como melhorar? Se o motivo é timidez, faça dessensibilização. Um exemplo: Vá numa festa, fi que um tempo menor, perceba o que sentiu. Num outro momento, aumente este tempo e assim sucessivamente, até você se sentir confortável com as pessoas que estão, diariamente, com você. Outra opção é combinar com um colega para irem juntos, assim você se compromete e cumpre esta parte social muito importante.

 

Desorganização

Sabe aquela frase que a primeira impressão é a que fica? Pois é, nem sempre temos a oportunidade da segunda impressão, por isso, não deixe sua mesa bagunçada. Você trabalhará melhor em meio a coisas arrumadas e também perderá menos tempo para achar algo.

Como melhorar? Tente usar pastas de cores diferentes para arquivar, por exemplo, o que vai faturar do que já foi pago, os pedidos, as compras… Seja como for, tenha em sua gaveta um lugar para clips, outro para caneta, para tesoura, borracha… A dica é que você volte os objetos que você usa sempre no mesmo lugar, assim memoriza e perde menos tempo.

 

Esquecer de cumprimentar seu colega

É comum estarmos tão juntos que entramos no ambiente de trabalho e damos início ao dia sem dizer para nossa equipe bom dia, por exemplo. Isso dá a impressão de falta de educação, de transtorno de humor, além de criar um mal estar e insegurança entre os colegas e no ambiente.

Como melhorar? Uma forma para que isso não se repita é se policiar. Caso falhe novamente, volte ao lugar e se corrija, dizendo ”desculpe, mas passei por vocês e não disse bom dia”, por exemplo.

 

Ter uma imagem que destoa da cultura da empresa

A imagem de um profissional deve transmitir credibilidade de acordo com a cultura da empresa. E é comum, depois de um final de semana na praia, por exemplo, o profissional aparecer com uma nova tatuagem de henna numa organização tradicional. Isso não pega nada bem!

Como melhorar? Se quiser contar para seus colegas como foi a viagem, verbalize. Conte todo seu divertimento e seu descanso. Mas não queira “aparecer”.

 

Timidez

O tímido perde oportunidades de aprendizado e de crescimento profissional. Como o tímido, às vezes, se “encolhe” diante de pessoas e de algumas situações, é possível que ele passe despercebido. “Outro dia uma cliente me contou chateada que estava precisando de emprego e que sua melhor amiga esqueceu de indicá-la para uma vaga. Mas ela ficou quieta, pois a timidez excessiva não permitiu questionamento, ainda que fosse com a melhor amiga. Eu a orientei para que perguntasse para a amiga o porquê. Sabe o que a melhor amiga respondeu? ‘Puxa, até esqueci que sua profissão era essa, você é sempre tão quieta!’ Então ela se deu conta de que precisa se comunicar com o corpo e com suas necessidades”, exemplifica Danielle.

Como melhorar? Reconheça esta dificuldade e enfrente. Supere este obstáculo participando mais de atividades em grupo e reuniões, ou fazendo algum curso de oratória.

Esquecer de dar recados

Se você tem dificuldade de memorizar as coisas e esquece de dar recados, trará para você e para a empresa uma imagem negativa e um ar de desleixo e desinteresse. Como melhorar? Sempre anote todos os recados! Mas cuidado para não escrever este recado como se fosse um torpedo, cheio de abreviações, algo que usamos com amigos íntimos.

 

Quem é você no trabalho?

O consultor de marketing, marcelo Rogick Pacheco, faz uma analogia entre os sete anões da Branca de Neve e o comportamento no ambiente de trabalho. Tente identifi car se algum deles se encaixa no seu perfi l ou nos de seus colegas de empresa.

Dunga: é um cara legal, mas bobinho. Vive fora da realidade, avoado, atrapalhado, serve de cobaia nas brincadeiras.

Atchim: sempre se faz de vítima e vive justificando seus erros. Nunca a culpa é dele e não se compromete com a empresa.

Dengoso: é bonzinho, mas pouco confiável. Dedoduro, fofoqueiro, sempre arma confusão e fica apontando culpados. Muitas vezes, inclusive, é o gargalo da empresa, onde os problemas se afunilam.

Mestre: sabe tudo, tem conhecimento, é educado, mas não faz nada, não arregaça as mangas. Falta iniciativa, é mandão (faz lá, faz isso, faz aquilo) e ele mesmo, nada.

Feliz: carismático e com sorriso contagiante, ele até trabalha redondinho, mas faz só o necessário: nada além daquilo que está no descritivo de suas atribuições.

Zangado: amargo, egoísta, pessimista, ranzinza. É aquele cara que sempre diz: “já tentamos isso antes e não deu certo”; “não vai dar”; “não vamos conseguir”.

Soneca: é preguiçoso, nunca está atento e sempre emperra o processo. Reconhecido por estar sempre atrasado em suas tarefas. É outro que, normalmente, representa o gargalo da empresa.