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Constelação da vida

20/01/2012

A reportagem completa “Constelação da vida” você confere na edição de janeiro (página 118) da revista Bianchini.

Por Vanessa Olivier

Segunda constelação
Após finalizar a constelação de Carmem, fomos a um breve intervalo regado com um delicioso coffe-break, tudo preparado pelas mãos da psicoterapeuta Vera Bassoi. Quando novamente nos sentamos em círculo na sala da terapia, Vera pede a Amália Germignani, a segunda “constelada” da noite, para se sentar em frente à roda. Ela, uma brasileira na “casa” dos 40, que aos 30 anos largou tudo o que tinha para buscar uma nova vida na Alemanha, estava ali para tentar unir novamente a família, laços que foram desgastados quando ela resolveu partir.
Vera pede a Amália para montar sua família no círculo, ou seja, convidar integrantes a representar o seu papel e de seus irmãos. Novamente, me vi sendo mais uma peça desse “tabuleiro” vivo. Eu era uma de suas quatro irmãs. Carmem era a “protagonista”. Ao sermos dispostos no centro da sala, Vera nos fala para nos movermos de acordo com nossa vontade, e diz a Amália: “Agora vamos ver o que acontece”. Três das quatro “irmãs” se juntam rapidamente. Sobram apenas a “protagonista”, outro “irmão” e eu. Mais uma vez estranhas sensações começam a me guiar, como se alguém estivesse me puxando com uma corda invisível. Seguindo esses novos instintos, me coloco ao lado do “irmão” e me sinto profundamente bem em sua companhia. Não quero me juntar às outras irmãs, que se aninham felizes como pessoas que há tempos se conhecem e se amam. O “irmão” também parece feliz ao meu lado. Já a “protagonista” não consegue encontrar seu lugar na família, e se afasta mostrando-se bastante perturbada.
Vera chama outra integrante do grupo a se juntar a nós e fazer o papel da Itália – país de origem dos descendentes de Amália. A “protagonista” passa a se sentir atraída pela “Itália”, até que se junta a ela. A “Itália” permanece sentada numa cadeira no canto da sala. A “protagonista” senta-se no chão e pousa a cabeça no colo da “Itália”, como se procurasse por um conforto que não tinha.
Outras pessoas foram entrando no círculo. Os papéis eram dos antepassados de Amália, avós, bisavós e tataravós. Em meio à terapia, uma onda de novas emoções me invade. Sinto-me puxada novamente, desta vez, para perto da “Itália”. A sensação é forte. Mais uma vez tento lutar em silêncio, mas minhas pernas parecem desobedientes, não seguem mais meus comandos. Percebo que minha perna direita toma a iniciativa e tomba para o lado, como se houvesse uma linha amarrada a meu tornozelo dando fortes investidas para a direita. Vera percebe meu desconforto e me pergunta se estou bem, se quero me mover. Respondo que estou sentindo vontade de ir em direção à “Itália”, e ela me encoraja. Ainda resisto, mas logo sou vencida para um “puxão” forte demais, que me traz para junto da “Itália”.
Dentro do círculo, as “peças” começam a se mover e novos representantes são incluídos. Uma espécie de nó energético é registrado, causando intenso desconforto em um dos membros do grupo. No papel de bisavô de Amália, ele não consegue ficar perto de seus “pais” e, de repente, cai no chão como se tivesse sido atingido por uma forte pancada nas costas. Aturdidos, os participantes o seguram e o deitam no chão. O “bisavô” reclama de uma dor intensa na cabeça. “A dor é muito forte. Não consigo ficar com os olhos abertos. Sinto também um torpor. Estou muito mal”, diz.
Preocupada com o estado do “bisavô”, Vera tenta algumas aproximações com outros representantes da família, mas nada funciona. A tensão na sala aumenta, assim como a expectativa de Amália. O “bisavô” tem a mão direita sobre os olhos, e geme atormentado pela dor. Vera então decide chamar outro membro do grupo para fazer o papel de “tataraneta”. Ela se deita ao lado do “bisavô” e, como mágica, o torpor vai diluindo até desaparecer por completo.
Enquanto isso, uma das irmãs se separa e encontra conforto ao meu lado. Junto da “Itália”, ficamos unidas, uma enganchada na outra, apenas assistindo o desenrolar desta instigante história.

Conclusão
Após muita tensão e desconforto entre os membros do grupo, o mistério começa a revelar uma luz. Decidido a deixar o país de origem, o “bisavô” de Amália parte para o Brasil levando consigo seu irmão mais novo, o filho predileto de seus pais. Inconsoláveis pela ausência do filho, os “tataravós” de Amália passaram a alimentar uma mágoa que sobreviveu ao tempo e espaço, acomodando-se às futuras gerações. Ao chegar a esta conclusão, Vera pede para o “bisavô” repetir palavras de perdão. Mostrando-se mais flexível, o “pai” acaba perdoando o “filho” com mais facilidade. Já a “mãe”, não consegue esquecer a amargura e parece irredutível. “Não consigo perdoá-lo. Tenho muita raiva dele por ter afastado o meu filho querido de mim”, ela diz.
Depois de muita conversa, desabafos e pedidos sinceros de perdão, o “bisavô” finalmente consegue ser perdoado pela “mãe”. O “nó energético” é desatado, a família conseguiu se unir, se olhar nos olhos, se abraçar e se emocionar, invadida por uma imensa onda de amor e conciliação. Amália, com o rosto coberto de lágrimas, agradece a cada um pela colaboração. Assim como Carmem, ela está feliz, agradecida e imensamente aliviada.
Antes de partirmos, Vera faz um “reiki” – sistema de equilíbrio energético – em cada um dos participantes.  Ela diz que é para limpar as energias que circularam durante a constelação, evitando que os membros do grupo levem consigo o que não lhes pertencem. E assim termina a constelação familiar daquela noite, dia 8 de dezembro de 2011.