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Entrevistas
20/01/2012
Premiado pela vida
Não fosse o “instinto fotográfico”, a agilidade e a experiência do fotógrafo Epitácio Pessoa, um jovem reciclador estaria agora, sem vida, flutuando pelas águas do Rio Paraíba do Sul, em Lorena, interior de São Paulo. O disparo dos flashes de Pita, como é conhedido, inibiu a ação de dois homens e salvou uma vida. O episódio rendeu ao fotógrafo, morador de Sorocaba e profissional do jornal O Estado de São Paulo, um dos maiores prêmio da imprensa brasileira: melhor fotografia, pelo prêmio Esso 2011 de Jornalismo. Por Mariana Rossi
Você conseguiu evitar um crime com o seu trabalho, mas nem sempre é assim nessa profissão. Como é ter que registrar momentos de dor ou sofrimento das pessoas, a foto vem sempre em primeiro lugar?
Eu tenho e carrego comigo um senso ético muito bem resolvido: primeiro a vida. Claro que nem sempre é assim, tudo bonitinho. Você se depara com situações em que acaba tirando primeiro a foto, até pelo próprio “instinto” de querer fotografar. Mas, obviamente, se eu me deparar com uma situação na qual eu tenha que intervir como ser humano e aonde veja alguém necessitado de socorro, não tenho dúvidas de que irei socorrer esta pessoa, e não vou ficar triste se perder uma grande foto. Mais importante que uma grande foto é podermos salvar uma vida.
A sequência de fotos vencedora do prêmio , intitulada Violência Abortada, cumpre seu papel de denúncia, de prestação de serviço à sociedade. Você acredita que o jornalismo, como um todo, tem cumprido esse papel?
Sim. Acredito, e muito. Através do jornalismo, nosso país e o mundo têm conseguido grandes feitos. Isto é o que mais me motiva, saber que temos esse poder, o chamado 4° poder. Observo que as pessoas, hoje, têm mais medo da imprensa do que da própria polícia, porque a imprensa expõe para a sociedade seus erros e seus acertos, mostra quem é o bom e quem é o ruim. Acredito que a imprensa e a justiça caminham juntas.
Estamos vivenciando uma profusão de câmeras e instrumentos para a divulgação de imagens. Você sente que o mercado de trabalho, na sua área, foi alterado por conta disso?
É importante lembrar que, com isso, a fotografia passou a ser mais admirada e respeitada também. Contudo, percebo essa poeira baixando um pouco e as grandes editoras já percebendo, novamente, que o ditado “de médico e louco, todo mundo tem um pouco” não vale para a fotografia, tornando-se cada vez mais necessário a figura do profissional, daquele que conhece a técnica, sabe o momento certo de fotografar, daquele que tem o dom e que sabe a real importância de seu trabalho perante a sociedade. É este profissional que começa a voltar a ser reconhecido pelo mercado editorial, e também no meio dos eventos sociais, incluindo festas particulares.