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Entrevistas
20/01/2012
MODA.COM.BR
Rede social de moda brasileira já conta com mais de 1 milhão de usuários e permite criar looks, garimpar novidades e descolar dicas de entendidos do mundinho fashion. Veja a entrevista que fizemos com os criadores, Flávio Pripas e Renato Steinberg. Por Pauline Meiwald
Se você é uma mulher com mais de 20 anos de idade, provavelmente gastou boas horas de sua infância trocando as roupinhas daquelas bonecas de papel. Hoje, esse fascínio por imaginar looks e inventar produções para todas as ocasiões ganhou a roupagem tecnológica do século XXI, e uma função muito mais adulta: a ideia é ajudar mulheres (e homens mais vaidosos) a conhecer tendências, garimpar peças, montar looks e, ainda, mostrar tudo isso para os amigos da rede e receber sugestões e comentários. Assim, o site Fashion.me, descendente do ByMK, uniu duas grandes paixões femininas: as redes sociais e a moda.
Em 2009, o site surgiu pelas mãos de criadores improváveis: dois profissionais da área de Tecnologia da Informação, Flávio Pripas e Renato Steinberg, tiveram a ideia a partir da paixão de suas esposas por moda. Hoje, a rede já acumula cerca de um milhão de usuários, atraídos pela possibilidade de montar looks com mais de dois milhões de itens e pela MAG, uma revista interativa, para a qual os próprios usuários podem elaborar matérias e artigos, entre outras ferramentas do portal. Grandes marcas, como Mob, Pakalolo, All Star, Iodice, Victor Hugo e Equus, entre muitas outras, já são parceiras e anunciantes do site, e modelos virtuais de suas peças podem ser usados para compor os looks dos internautas.
Acompanhe a entrevista que fizemos com Flávio e Renato sobre moda, tecnologia e empreendedorismo.
De onde surgiu a ideia para o site? Como foi a transformação até se tornar a rede reconhecida? O portal nasceu de forma despretensiosa: nossas esposas decidiram que queriam abrir uma loja física de roupas. Nós fomos verificar quanto era necessário investir em uma loja física e percebemos que o custo era muito alto. Como já atuávamos na área de TI, tivemos a ideia de criar algo na internet para que elas tocassem, e onde os próprios usuários criassem seus conteúdos para que não tivéssemos que abastecer o portal com esse material. Sem perceber, nós estávamos criando a primeira rede social de moda no Brasil, que é o ByMK.”. Com a grande demanda e o crescimento dele, eu e meu sócio teríamos que nos dedicar mais e, para isso, teríamos que sair do mercado para nos tornarmos empreendedores. Essa foi nossa decisão e passamos a nos dedicar 100% ao ByMK. No site, oferecemos várias ferramentas para as pessoas conversarem sobre moda e engajamos as marcas dentro do contexto dessas conversas. Foram os próprios usuários, no boca-a-boca, que alavancaram o sucesso do ByMK na internet, tornando-o muito mais conhecido no ramo da moda. Começamos com pouquíssimos participantes, hoje já passam de um milhão.
Existem outras redes similares no mercado internacional? Existem outras redes sociais de moda que focam, principalmente, nas seguintes ferramentas: criação de looks editoriais, criação de produções em modelos virtuais, compartilhamento de fotos
de looks e assim vai… O diferencial do Fashion.me é que focamos nas conversas de moda e temos as ferramentas para suportar essas discussões de forma totalmente inovadora e interativa.
Há estatísticas de usuários internacionais? Cerca de 5% dos usuários, hoje, são de fora do Brasil. No entanto, com o lançamento das versões em inglês e espanhol do site, este número tende a crescer exponencialmente nas próximas semanas. Sempre temos planos de expansão, o nosso intuito é atingir a América Latina, os Estados Unidos, a Europa e o Oriente Médio. O ByMK, atualmente, mantém uma posição de liderança no Brasil, consolidado em um nicho bastante importante e movimentado.
Qual é o perfil dos usuários do ByMK? O ByMK/Fashion.me é voltado para todas as pessoas que, de alguma forma, interagem dentro desse universo: de entusiastas a estudantes de moda, de novos estilistas a pessoas consagradas no mercado, de donas de casa a profissionais liberais. 97% do público é feminino, e 47%, tem de 20 a 40 anos de idade.
O público-alvo era algo que vocês já planejaram desde o primeiro momento? O público-alvo se definiu sozinho. Claro que sabíamos que as mulheres seriam a grande maioria, mas não tínhamos noção de quanto seria. Nós sabíamos que atingiríamos várias faixas etárias, pois, hoje em dia, todos estão utilizando a internet e as redes sociais.
Na sua opinião, qual é a ferramenta mais inovadora do portal? As discussões de moda e o uso de ferramentas interativas no contexto dessas conversas. Quando o usuário do Fashion.me entra no portal, o intuito maior é criação de novos looks, mas, como o conteúdo é colaborativo, ele apresenta um compilado de informações sobre moda de diferentes gostos e lugares.
Atualmente, qual é a ligação entre ByMK e o Fashion.me? O Fashion.me é a evolução do ByMK, contendo o que aprendemos nestes últimos três anos trabalhando na rede social – em breve, todos os usuários serão redirecionados ao Fashion.me, onde as principais novidades são a modelo virtual e a revista MAG, totalmente colaborativa.
Então o conteúdo editorial é totalmente feito pelos usuários? Todo conteúdo do site é 100% colaborativo. Os próprios usuários escrevem e apenas fazemos a curadoria, selecionando os melhores textos e publicando. O intuito é gerar conteúdo neste segmento que vem crescendo muito no Brasil, várias pessoas cooperam com o portal. Não temos um colaborador fixo de moda, são os próprios usuários que comentam e interagem entre si, mas temos consultoras de moda que oferecem suporte aos colaboradores do site.
Existem muitos estereótipos relacionados a profissionais do mundo da moda. Você e seu sócio vieram de uma área totalmente diferente, como foi a adaptação? Ainda está acontecendo. Falamos que trabalhamos com internet, inovação e modelos de negócios disruptivos na vertical de moda.
Trabalhar com o assunto modificou algo na forma como vocês se vestem, ou mesmo a visão que têm do mundo fashion? Hoje, olhamos para o mundo fashion com mais critério e seriedade. Acabamos conhecendo muito mais a cadeia do mundo da moda, seus vários atores e como ela influencia no nosso dia-a-dia. Podemos dizer que hoje respeitamos muito mais esse mundo e temos preocupações, como por exemplo, no modo como nossa roupa reflete nossas ideias pessoais, percepção que não tínhamos antes.
Na opinião de vocês, o Brasil é fonte de informação de moda, há tendências partindo daqui? Com certeza – tendência vem de criatividade e o brasileiro é muito criativo. quando fazemos reuniões com pessoas de fora do país, sempre surge a questão da moda brasileira como global e inovadora.