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Recife recebe o Festival Interativo de Música e Arquitetura

A terceira edição do Festival Interativo de Música e Arquitetura chega à capital pernambucana com apresentação da orquestra, sob regência de Lanfranco Marcelletti, com participação da soprano Alzeny Nelo e do historiador, jornalista e ator Leidson Ferraz Depois de homenagear diferentes monumentos arquitetônicos no estado do Rio de Janeiro (1ª edição) e contemplar importantes palácios e museus Brasil afora (2ª edição), o FIMA – Festival Interativo de Música e Arquitetura, em sua terceira edição, se dedica a homenagear os teatros históricos do Brasil, promovendo uma convergência lúdica entre música e arquitetura em alguns dos mais importantes templos da arte e da cultura brasileira. Iniciada em outubro, a terceira edição já percorreu os estados do Amazonas, Rio de Janeiro, Paraíba, Pará e Minas Gerais (Ouro Preto, Sabará e Juiz de Fora) e chega, agora, em Recife para uma apresentação dupla, nos dias 13 e 14 de março, quarta e quinta-feira, às 20h, no Teatro Santa Isabel. A terceira edição se encerra neste mês de março, em Natal, no dia 24. Com patrocínio do Instituto Cultural Vale por meio da Lei de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, Governo Federal – União e Reconstrução, o FIMA oferece concertos presenciais e virtuais, podcast, websérie, conteúdos interativos e todas as apresentações têm entrada gratuita

Em Recife, o FIMA irá homenagear um ícone arquitetônico da cidade, o Teatro de Santa Isabel, edifício elegante que irradia atividades artísticas desde a época do Império e é considerado o mais antigo e expressivo exemplar de Arquitetura Neoclássica em Pernambuco. Nos dias 13 e 14 de março, o público conhecerá um pouco mais sobre essa construção que alia tradição e modernidade e representa a vida cultural e política do estado de Pernambuco. Propondo um diálogo musical com sua rica arquitetura, arte decorativa e trajetória histórica, a Orquestra Sinfônica do Recife, sob a regência do maestro Lanfranco Marcelletti, com participação da Soprano Alzeny Nelo, juntamente com o historiador, jornalista e ator Leidson Ferraz, serão os guias desta jornada no tempo e no espaço deste emblemático monumento.

“Um dos principais objetivos do FIMA é estabelecer uma conexão afetiva do público com importantes patrimônios históricos brasileiros. Nesta nova edição do Festival interativo de Música e Arquitetura, alguns dos mais importantes teatros históricos brasileiros serão celebrados. Edifícios que ao longo do tempo testemunharam importantes capítulos da trajetória artística do país. Através da música e da arquitetura, seremos transportados a diferentes momentos de nossa história, criando uma experiência multissensorial que unirá passado, presente e futuro. Uma jornada de reconhecimento e apreciação da rica trama que compõe a identidade cultural brasileira.” afirma Pablo Castellar, Idealizador, Curador e Diretor Artístico do FIMA.

O programa e a história do Teatro de Santa Isabel

O programa se inicia com a abertura da primeira ópera realizada neste teatro, “I puritani“, de Vincenzo Bellini, última obra escrita pelo compositor e encenada no teatro em 18 de agosto de 1858, oito anos após a sua inauguração. O título do trecho a ser exibido é “Sinfonia”. Em seguida, com a participação da soprano potiguar Alzeny Nelo, será apresentada a ária “Qui la Voce Sua Soave”. A ideia de construir um teatro público no Recife partiu de Francisco do Rego Barros, o Barão da Boa Vista, presidente da Província de 1837 a 1844. Aprovado em 1841, o projeto foi elaborado e dirigido pelo engenheiro francês Louis Léger Vauthier e construído pelo trabalho não-escravo, uma inovação na época. Já os recursos financeiros vieram de loterias, da companhia de acionistas e do tesouro provincial. O Teatro de Pernambuco, como até então era chamado, passou a se chamar Teatro de Santa Isabel poucos meses antes de sua inauguração devido a uma homenagem, que o então presidente da Província, Honório Hermeto Carneiro Leão, quis fazer a Princesa Isabel antes de deixar o cargo no final de 1849. No dia da inauguração do Teatro, em 18 de maio de 1850, foi apresentado o drama em três atos “O Pajem d’Aljubarrota“, do português Mendes Leal. Uma obra que exaltava a justiça como um dos maiores bens da humanidade. Justiça essa que se vê também refletida no papel que esta casa desempenhou junto à luta abolicionista. Há, inclusive, no corredor deste teatro, uma estátua com o busto de Joaquim Nabuco e a frase “Ganhamos aqui a causa da abolição”. Afinal foi no palco desta casa, que este importante abolicionista pernambucano, proferiu seus principais discursos de luta pelo fim da escravidão.

Para celebrar tão importante momento, serão apresentadas “Alvorada” e o “Inno Della Liberta”, da ópera “Il Schiavo”, de Carlos Gomes, o mais importante compositor brasileiro do fim do século XIX, que conquistou fama internacional por suas óperas que misturavam elementos da música clássica europeia com as tradições musicais brasileiras. Assim como Nabuco, Carlos Gomes era neto de uma mulher parda e foi membro ativo do Movimento Abolicionista. A sua Ópera da Abolição, como ficou conhecida na época da estreia no Brasil, em 1889, foi dedicada à Princesa Isabel.

Em 1880, quando Carlos Gomes retornou à Itália, o compositor paulista tinha um esboço de um libreto escrito pelo seu amigo e um dos principais abolicionistas no Brasil, o Visconde de Taunay, que não foi aceito pelo libretista e tradutor italiano Rodolfo Paravicini. Ele antecipou a data da ópera em mais de dois séculos, de 1801 para 1567, alterou os personagens principais de negros para Índios e transformou uma nobre dama portuguesa em uma condessa francesa. Paravicini também se opôs à inclusão nesta ópera do “Inno Della Liberta”, que ao final foi inserida e que ouviremos na linda voz de Alzeny Nelo.

Em 19 de setembro de 1869, o teatro sofreu um devastador incêndio. Apenas as paredes laterais, o alpendre e o pórtico se mantiveram erguidos. As atividades de reconstrução começaram apenas em maio de 1871. Vauthier foi novamente chamado, desta vez, para supervisionar a revisão e modernização dos planos de construção. Totalmente restaurado foi triunfantemente reaberto em 10 de dezembro de 1876 com a companhia lírica italiana de Thomaz Pasini apresentando “O Baile de Máscaras“, de Giuseppe Verdi. Para lembrar deste momento marcante na história do teatro, o programa traz “Saper Vorreste” – a ária é cantada no terceiro ato pelo personagem Oscar, um pajem leal do Governador Ricardo, que é pressionado a revelar quem seu amo encontraria no tal baile de máscaras. Uma música leve e saltitante, que reflete a jovialidade e a natureza travessa daquele papel.

Em 1916, durante a gestão de Manoel Borba, o teatro passou por reformas significativas. Para celebrar essa nova fase de inovações que, dentre outras coisas, trouxe a luz elétrica, eliminando o risco de incêndio provocado pelas luminárias a óleo, a Orquestra irá executar a obra “The Unanswered Question”, do compositor norte-americano Charles Ives. Esta peça musical revela a tensão entre o antigo e o novo e transporta o ouvinte a esse tempo onde o Teatro de Santa Isabel se confrontava com as modernidades que chegavam. Palco de grandes nomes da música pernambucana, o Teatro de Santa Isabel e a Orquestra Sinfônica do Recife estrearam diversas obras de importantes compositores locais ao longo de sua história. Para marcar a trajetória da música no estado, a jornada prossegue com “Lamento e Dança Brasileira”, primeira obra sinfônica do compositor, arranjador, pianista e regente pernambucano, natural de Caruaru, Clóvis Pereira, que, à frente da Orquestra Sinfônica do Recife, a estreou nesta casa em 1967. Três anos depois ele seria convidado por Ariano Suassuna a escrever as primeiras composições musicais representativas de uma importante ação artística, o Movimento Armorial, que tinha por objetivo realizar uma arte autenticamente brasileira baseada nas raízes populares. Nas palavras do próprio Suassuna, uma arte que teria “a ligação com o espírito mágico dos folhetos” do Romanceiro Popular do Nordeste (literatura de cordel), com a música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus ‘cantares’, e com a xilogravura, que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das artes e espetáculos populares.

Outro grande nome da música pernambucana que marcou história neste teatro é José Ursicino da Silva, mais conhecido como Maestro Duda, uma figura emblemática da música brasileira. Nascido em Goiana, iniciou sua jornada musical em bandas locais, revelando desde cedo um talento excepcional para a composição e o arranjo. Dele será executada a “Música Para Metais Nº 2“, obra que exemplifica sua habilidade em compor para conjuntos de metais, refletindo a riqueza da visão artística e alma musical a partir das tradições do frevo, baião, xaxado, maracatu e toda a valiosa cultura nordestina. A peça destaca-se não apenas por sua complexidade e beleza, mas também por representar uma ponte entre o erudito e o popular, um traço distintivo do trabalho do Maestro Duda. A…

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